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O 14-Bis

O Primeiro Vôo do "Mais pesado que o ar"

     Em Julho de 1906, Santos-Dumont iniciou suas primeiras experiências com o "14-BIS", com o objetivo de conquistar o espaço com um aparelho mais pesado que o ar.

     O "14-BIS" não necessitava mais do que o "Nº 14" como veículo-auxiliar. Desta vez Santos-Dumont estava disposto a se elevar do solo contanto somente com o seu avião. Essa invenção, que o deixou famoso em todo mundo, possuía 12 metros de envergadura e 10 metros de comprimento. A superfície total era de 80m2. O biplano formado por seis células de Hargrave, tinha as asas em forma de diedro.

     Os lemes de direção e profundidade foram colocados a frente da aeronave, numa concepção contraria a de hoje, isto é, as asas do "14-BIS" ficam atrás, com o motor, enquanto a "cauda" situava-se à frente, ou seja, o conjunto em forma de "T", sendo que a cauda desse "T" constituía a parte da frente do aparelho. Na conjunção dos braços do "T", encontrava-se o motor.

     Todo o conjunto pesava, com o aviador, cerca de 210Kg. As superfícies eram de seda japonesa, com armações de bambu e junturas de alumínio. Os cabos dos comandos dos lemes eram de aço de primeira qualidade, do tipo usado por relojoeiros nos grandes relógios das igrejas.

     Inicialmente, o "14-BIS" apresentava trem de pouso com 3 rodas; posteriormente, Santos-Dumont retirou a roda traseira. Essas rodas não eram senão simples rodas de bicicletas, distantes, entre elas, apenas 70cm.

     O motor a gasolina do tipo "Antoinette" construído por Leon Levavasseur era em "V" com 16 cilindros (8 de cada lado); inicialmente com a potência de 24 HP, foi, no entanto, modificado para 50 HP, para proporcionar melhor rendimento à aeronave, o que foi conseguido diminuindo-se o peso posterior em cerca de 40 Kg e adicionando-se ao motor mais um carburador. De 1000 rpm, a hélice passou a girar, em regime pleno, a 1500 rpm.

     O leme dianteiro, todo em seda japonesa, movimentava-se em todas as direções, tendo 3m de largura por 2m de comprimento e 1,50m de altura.

     Os franceses apelidaram aquele estranho aparelho de "oiseau de proie" (ave de rapina), ou "canard", devido a semelhança com um pato. Os ingleses denominvam-no como "bird of prey".

     Com esse avião, Santos-Dumont conseguiu realizar, em 23 de Outubro de 1906, o primeiro "vôo mecânico" de mundo, devidamente homologado, alcançando a distância de 60m, a uma altura que variava entre 2m e 3m.

     Portanto, Santos-Dumont havia resolvido o problema do vôo num aparelho mais pesado que o ar: o "14-BIS" realizou uma corrida sobre o Campo de Bagatelle, desprendeu do solo, voando em linha reta e pousando em seguida, sem qualquer avaria.

     Somente não voara um percurso maior, porque a grande multidão, que afluira ao Campo para assistir a este grande evento, correra em direção ao "14-BIS", como que extasiada por aquele verdadeiro milagre que acabava de acontecer. Alem disso, Santos-Dumont, descrevendo em 1918, chegou a declarar "Não mantive mais tempo no ar, não por culpa da máquina, mas exclusivamente minha, que perdi a direção".

     No vôo de 12 de Novembro do mesmo ano Santos-Dumont surgiu com o "14-BIS" exibindo uma novidade: os "ailerons", pequenas asas colocadas nas asas e que o propósito de manter o horizontabilidade do avião.

     Como ficava com as duas mãos ocupadas nos diversos comandos do avião, Santos-Dumont, costurou um "T" de madeira em seu paleto de onde partiam argolas finas ligadas aos cabos de comando que atuavam nos "ailerons". Inclinado o ombro para a direita ele podia comandar o "aileron" esquerdo, e vice-versa, reagindo ambas as superfícies, de maneira coordenada, de acordo com a inclinação do corpo do aviador.

     Naquela segunda-feira, ao cair da tarde, ele conseguiu voar 220m, a 6m de altura em 21,2 segundos.

     Conquistara, portanto, o outro prêmio, oferecido pelo Aeroclube de França, conferido "ao primeiro aeroplano que, levantando-se por si só, fizesse um percurso de 100m com desnivelamento máximo de 10%" Desta forma, bateu seu recorde de 23 de Outubro. A multidão envolveu o "14-BIS" e Santos Dumont saiu carregado em triunfo pelo povo que acorrera ao Campo de Bagatelle. Toda a imprensa mundial noticiou os dois grandes feitos do nosso brasileiro.

     Esse marcante acontecimento repercutiu, intensamente, no continente americano, e, no Brasil, sem dúvida, atingiu ao delírio, pois o destino reservera a um brasileiro a honra de ter sido o primeiro a conseguir voar em um aparelho mais pesado que o ar, ou seja, o avião.


Pesquisa elaborada por:
72/284 - Glauco Ferius Constantino de Oliveira

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